Dia Internacional Contra Violência à Mulher - Plenu RH
Hoje, 25 de novembro, é o Dia Internacional Contra Violência à Mulher, dia para refletir e difundir ideias e meios para eliminar a agressão às mulheres. Um movimento que vem ganhando cada vez mais força nos últimos anos, mas que ainda sofre dificuldades com a falta de transparência dos dados e o silêncio das vítimas.
O Brasil e o mundo enfrentam momentos difíceis na pandemia do COVID-19, sobretudo as mulheres, pois mais alarmante ainda é o drástico aumento dos casos de violência à mulher, devidos às restrições sociais causadas pela doença.

A situação pandêmica mundial acabou deixando sem refúgio vítimas da violência com o funcionamento parcial das instituições, o fechamento de várias empresas e interdição de espaços culturais e esportivos, além da paralisação das aulas presenciais. Fatores que se somam ao impacto econômico do vírus em muitas famílias.
Falta de transparência e aumento do feminicídio
Além de danos psicológicos, patrimoniais e físicos, irreversíveis, a consequência mais grave é a morte da vítima. O feminicídio vem aumentando de forma alarmante no país e no mundo e ainda enfrenta problemas de subnotificação já que em muitos casos há uma confusão entre feminicídio e homicídio de mulheres.
A criadora do Observatório da Violência de Gênero da Universidade Federal do Amazonas, a professora e antropóloga Flávia Melo, afirma:
“É (o Amazonas) uma história de lacunas. Isso ajuda a gente a entender a dificuldade de mapear os dados no momento da pandemia. Mas não é uma situação que surge da pandemia; isso é uma situação de invisibilidade e negligência contra as mulheres, que sofrem violência, e que se arrasta por muito tempo”. Ou seja, pela falta de transparência nas informações, gera-se uma subnotificação dos casos de feminicídio no Estado do Amazonas, por exemplo.

Através da parceria entre sete veículos jornalísticos independentes, o levantamento, Um Vírus e Duas Guerras, mostra que entre os 20 estados brasileiros que liberaram dados das secretarias de segurança pública, nove registraram juntos um aumento de 54%, outros nove tiveram queda de 34%, e dois mantiveram o mesmo índice. A média observada pelo estudo foi de 0,21 feminicídios por 100 mil mulheres.
Só no Brasil foram registrados 648 feminicídios no primeiro semestre de 2020 e para o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), medidas de proteção e acolhimento às vítimas ainda é insuficiente.
Como identificar a violência doméstica
Estão previstos cinco tipos de violência doméstica e familiar contra a mulher na Lei Maria da Penha. Todos eles trazem graves consequências paras as mulheres e geralmente são perversidades complexas, não acontecendo de forma isolada. Entre os tipos de violência estão a física, a psicológica, a sexual, a patrimonial e a moral.

- Violência física: Entendida como qualquer conduta que ofenda a integridade ou saúde corporal da mulher.
- Espancamento
- Atirar objetos, sacudir e apertar os braços
- Estrangulamento ou sufocamento
- Lesões com objetos cortantes ou perfurantes
- Ferimentos causados por queimaduras ou armas de fogo
- Tortura
- Violência psicológica: É considerada qualquer conduta que: cause dano emocional e diminuição da autoestima; prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher; ou vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões.
- Ameaças
- Constrangimento
- Humilhação
- Manipulação
- Isolamento (proibir de estudar e viajar ou de falar com amigos e parentes)
- Vigilância constante
- Perseguição contumaz
- Insultos
- Chantagem
- Exploração
- Limitação do direito de ir e vir
- Ridicularização
- Tirar a liberdade de crença
- Distorcer e omitir fatos para deixar a mulher em dúvida sobre a sua memória e sanidade (gaslighting)
- Violência sexual:Trata-se de qualquer conduta que constranja a presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força.
- Estupro
- Obrigar a mulher a fazer atos sexuais que causam desconforto ou repulsa
- Impedir o uso de métodos contraceptivos ou forçar a mulher a abortar
- Forçar matrimônio, gravidez ou prostituição por meio de coação, chantagem, suborno ou manipulação
- Limitar ou anular o exercício dos direitos sexuais e reprodutivos da mulher
- Violência patrimonial:Entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.
- Controlar o dinheiro
- Deixar de pagar pensão alimentícia
- Destruição de documentos pessoais
- Furto, extorsão ou dano
- Estelionato
- Privar de bens, valores ou recursos econômicos
- Causar danos propositais a objetos da mulher ou dos quais ela goste
- Violência moral: É considerada qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
- Acusar a mulher de traição
- Emitir juízos morais sobre a conduta
- Fazer críticas mentirosas
- Expor a vida íntima
- Rebaixar a mulher por meio de xingamentos que incidem sobre a sua índole
- Desvalorizar a vítima pelo seu modo de se vestir
Para eliminar a violência
A principal forma de combater a violência contra a mulher é denunciando agressor à polícia. Para isso é preciso muita coragem, mas acima de tudo condições para acolher as vítimas que muitas das vezes não tem estrutura, psicológica e/ou financeira. Mesmo com a falta de otimismo com os números de casos crescente, é cada vez mais forte uma rede de união entre as mulheres para ajudar a quem precisa.

Pensando nisso, várias iniciativas solidárias se formam na internet, como é o caso do #VizinhaVocêNãoEstáSozinha, da rede Agora É Que São Elas, que visa trazer abrigo para aquelas que não tem a casa como um refúgio. O objetivo principal é mostrar que a mulher não precisa se calar diante da agressão.
Em paralelo a isso, o Ligue 180 é um serviço de utilidade pública essencial para o enfrentamento à violência contra a mulher. Além de receber denúncias de violações contra as mulheres, a central encaminha o conteúdo dos relatos aos órgãos competentes e monitora o andamento dos processos.
O serviço também tem a atribuição de orientar mulheres em situação de violência, direcionando-as para os serviços especializados da rede de atendimento. No Ligue 180, ainda é possível se informar sobre os direitos da mulher, a legislação vigente sobre o tema e a rede de atendimento e acolhimento de mulheres em situação de vulnerabilidade.
A Plenu apoia essa causa
Nesse 25 de novembro, nós da Plenu como uma empresa liderada por mulheres e que trabalha com um público majoritariamente feminino, apoiamos totalmente a não violência à mulher, como uma causa não unicamente feminina. O apoio de todos é imprescindível na eliminação de todas as formas de violência à mulher, seja no ambiente doméstico, no mercado de trabalho ou na estrutura de nossa sociedade em si. Acabar com a violência desigual é trazer condições humanas indiscutivelmente primordiais para que as mulheres possam seguir seguras e de forma livre.